sexta-feira, 30 de abril de 2021

de como um vampiro espaçoso pode gastar o seu dinheiro como se fosse dele.




anos atrás, caí nas garras de um vampiro diferente
. tudo começou quando ele me convidou pra um churrasco, e assim, foi logo me dizendo: eu não tenho grana, você paga a despesa?. na mesma hora aceitei, e foi aí que errei feio. fomos até ao supermercado comprar os ingredientes, e ele, sem a menor cerimônia, pegou de uma vez, dois fardos de cerveja, dois quilos de picanha, dois pacotes grande de sobrecoxa de frango, duas garrafas de vinho, quatro cervejas caras, e três pacotes de pão com alho, e a brincadeira ficou em r$ 188,65, cento e oitenta e oito reais e sessenta e cinco centavos. achei que pra duas pessoas foi muito, não gostei, e pensei comigo, este é o vampiro que mete a mão no seu cartão, e ele nem quer saber se você tem o dinheiro ou não. pois mal, não me senti bem vendo-o comprar à vontade, como se o dinheiro fosse dele. na verdade, os vampiros são assim mesmo, você abre mão, e eles vão além da conta. por isso, sendo assim, vou lhe dar uma dica: pra conhecê-los, é só dar corda, são os tais vampiros espaçosos.

anibal, jf, 30.04.2021

terça-feira, 27 de abril de 2021

DE COMO UMA FIGUEIRA SITUADA ENTRE CONCEIÇÃO E RECREIO SE TORNOU MAL ASSOMBRADA.


Zé canário e tonhão eram dois arqui inimigos, um não podia ver o outro, ninguém sabia o motivo de tamanha rixa, algo muito sério devia ter acontecido entre ambos, uns arriscavam, Foi uma demarcação litigiosa de terras. Outros, O sumiço inexplicável de três vacas do tonhão, culpando o zé canário, que era um homem bom, 
muito tranquilo, simpático com todo mundo, pai de família exemplar, e que gostava de andar com o seu canário na gaiola pra tudo quanto era lado. Já o tonhão, era gente boa, também, porém muito ranzinza, não cumprimentava ninguém, era calado, trabalhador e nunca se casou, sabe lá porquê. A única coisa comum entre os dois era uma cachacinha no botequim do pedro da maria, aos domingos, depois da missa matinal, celebrada pelo padre idelfonso, aquele de, os anjos todos os anjos. Pois bem, tanto o zé canário, quanto o tonhão, ambos eram católicos praticantes e ajudavam muito a igreja. Certa vez, o padre idelfonso precisou arrumar o telhado do templo de deus, e os que deram mais dinheiro pra consertá-lo, foram eles. Deste modo, tudo corria bem na vila, até que um dia, zé canário e tonhão se estranharam no boteco do pedro da maria, através de um terrível bate boca. Os dois tinham bebido além da conta e assim, começaram a trocar insultos, se atracando numa briga até na rua, chamando a atenção de quem passava. Se não fosse a polícia, naquele tempo conceição tinha uma delegacia, a luta poderia acabar em morte, no entanto, mesmo sendo apartados, continuavam trocando farpas, e foi nesse momento, que tonhão o ameaçou, Preste bem a atenção, zé canário, vou matar você, a sua mulher e os seus filhos!. Em se tratando do zé canário, que nunca levou desaforo pra casa, nesse ínterim, incrivelmente, perdeu a língua, baixou a cabeça e foi embora pra casa. Ninguém acreditava no que via, um dos que estavam perto comentou, Nunca vi o zé assim, isso não é nada bom, tenho um pressentimento muito ruim. No dia seguinte, tonhão, já completamente sóbrio, nem lembrava mais da ameaça que fez ao rival, arriou o seu cavalo e partiu a negócio pra uma vila, distante 5 quilômetros, chamada recreio, que estava crescendo muito, devido à estrada de ferro, the leopoldina railway company limitade, implantada pelos ingleses. A estrada entre conceição e recreio cortava uma imensa mata, mais conhecida naquele tempo como capoeira, e tinha no meio do caminho, uma enorme e frondosa figueira, formando assim um ambiente que atiçava muito medo nas pessoas. Pois bem, zé canário acordou praticamente sóbrio, mas com a ofensa do algoz lhe atormentando as ideias, tomou o café matinal com a sua mulher, dona maroca e os filhos, tãozinho, chiquinho e mariinha, e, logo em seguida, chamou a esposa na sala e disse, Feche as portas e as janelas, porque eu vou sair pra caçar. Mas porque fechar a casa toda?, Não é nada não, faça o que estou mandando!. E assim, beijando a companheira, pegou a espingarda, o chapéu, e saiu. Nesse dia, o assunto, em conceição, foi um só, a briga e a ameaça, ninguém falava em outra coisa. Pois é, à noitinha, zé canário voltou pra casa, trazendo uma paca pro jantar, seu rosto parecia pesaroso e desta maneira, tomou um banho, e de barriga cheia, foi dormir. Na manhã seguinte, um cavaleiro ofegante e muito nervoso, vindo de recreio, chegou gritando, Mataram o tonhão, mataram o tonhão!!!, indo direto pra delegacia, onde contou tudo o que viu, Delegado, você conhece bem aquela grande figueira, pois é, vindo de recreio, eu vi um corpo caído no chão perto dela, cheguei pra averiguar quem era, e deparei-me com o compadre tonhão, mortinho da  silva, com um tiro no coração. Enquanto falava, o povo muito assustado, foi se aglomerando no lado de fora da delegacia, afim de saber melhor o que tinha acontecido. Na verdade, inimigo é que não faltava pro tonhão, no entanto, o número 1 era o zé canário, que foi logo chamado na delegacia, várias vezes, pra depor. Calmo, como de sempre, negava o crime, dizendo sempre a mesma coisa, Seu delegado, eu não matei ninguém. E o delegado sempre batendo na mesma tecla, O seu vizinho bastião me disse que viu você trancando a família em casa, e saindo com uma espingarda à tardinha. Enfim, o tempo passou e o caso foi dado por encerrado, pois não havia nenhuma prova. Autor ou não do assassinato, zé canário continuou a sua vidinha e o crime acabou caindo no esquecimento. Como a paz dura menos que a guerra, numa noite com a lua cheia pairando sobre a torre da igreja de nossa senhora da conceição, um homem a cavalo, correndo muito, brotou da escuridão, vindo de recreio, acordando todo mundo com os seus berros, até na pracinha da capelinha, Eu vi uma assombração na figueira, eu vi uma assombração na figueira!!!. Desta maneira, parou o corcel na frente do botequim do pedro, pra tomar uma pinga pra se acalmar, e, como num passe de mágica, de repente o recinto encheu de gente, e o assustado homem, anacleto era o seu nome, mais tranquilo, começou a contar, Eu estava vindo de recreio, a lua estava clareando bem a estrada, de repente surgiu uma luz no fundo da capoeira me seguindo, confesso que fiquei com muito medo, agora, quando ela se adiantou e parou na figueira, me deu a impressão de que estava me esperando e estava mesmo, tanto assim que nesse exato momento, algo pulou no meu cavalo atrás de mim, cheguei a sentir o contato e até ouvir a respiração da coisa, e como se não bastasse, o fantasma com uma voz chorosa, começou a se lamentar, Foi o zé que me matou, foi o zé que me matou!, totalmente horrorizado, meti a espora no meu cavalo e aqui estou, tremendo que nem vara verde. Acontece que hoje nem tanto, mas antigamente as pessoas acreditavam muito em assombração, tanto assim que o delegado aceitou o depoimento do morto e mandou prender o zé canário, daí pra frente não se sabe ao certo se ele foi julgado e condenado.

NOTA: Na minha infância, eu ouvia muitas histórias do meu pai e dos incontáveis parentes de conceição, sei que a maioria era inventada, o que me dá a liberdade de inventar mais ainda, também. Na verdade, antes da escrita, todos os povos passavam seus conhecimentos para as gerações seguintes, contando e cantando histórias.

anibal wf. jf, 29.04.2021

segunda-feira, 26 de abril de 2021

DE COMO VOCÊ DEVE SABER O QUE ACONTECE QUANDO UM VAMPIRO ENTRA EM SUA CASA.

Todo vampiro é muito educado, ele não entra em sua casa, sem ser convidado, mas se você abrir a porta, já era. Deste modo, uma verdadeira tortura se inicia, desde o momento em que ele entrou até na hora de ir embora. Sua visita demorará horas infindáveis, isso se ele não ficar pro dia seguinte. O curioso é que, geralmente, costuma chegar antes do almoço, e assim, vai ficando até o café da tarde, parecendo ter todo o tempo do mundo. Atenção, é a partir daí, que você começa a se sentir mal, com a sua energia se esgotando. Acontece que, o vampiro deste tipo acha que você é um desocupado, obrigando-lhe a fazer sala o tempo todo. Pois é, quando chega neste patamar, o inferno se descortina. Pra piorar a situação, este vampiro é tão calado, que chega a dar tédio. Então, mas quando o vampiro se sente totalmente saciado, ele começa a ficar cabisbaixo. Isto já me aconteceu e eu caí na asneira de lhe perguntar, O que houve?, e de ouvir o que não queria, Você, com os seus agrados, não me deixa ir embora!. Meu caro ou minha cara, este é um dos piores vampiros que eu  conheço, eles chegam com a cara de quem não quer nada, todavia, vão ficando, ficando, ficando..., e a gente, vai só definhando, definhando, definhando... [ss]

anibal wf.
[saber salva] 
jf, 26.04.2021

domingo, 25 de abril de 2021

O PASSAMENTO DO MEU AMIGO JORGE MIRANDA RIBEIRO

 


acabei de receber a inaceitável notícia do passamento do meu amigo, jorge miranda ribeiro. eu sabia que ele estava com a ‘maldita gripezinha’, todavia, não esperava um desfecho tão trágico assim. pois bem, conheci o jorge miranda, através da turma: ‘tumá’, iraní, natal, gilberto peres, paulo afonso, ‘moleque bonito’, marinho e outros, que não me lembro agora, em 1964. nós fazíamos parte do jec (juventude estudantil católica), movimento coordenado na época pelos padres, juarez e mauro. Jorge, cataguasense de nascimento, mas recreiense de coração, era aposentado pelo incra, mas nunca parou, sempre atuante, tanto assim que, escreveu vários livros, que são consultados, atualmente, nas faculdades afins, sobre reforma agrária e urbana, assunto de sua especialidade. Além de advogado, Jorge era bacharel em administração de empresas pela upis (df), bacharel em direito pela antiga aeudf e pós-graduado em direito público pelo ipcjb (df). sendo assim, particularmente, devo muito ao Jorge, porque se não fosse ele, eu não estaria mais desenhando o ‘esdobão’, ele acreditava mais no personagem, que criei, do que eu. tudo começou quando ele me procurou pra ilustrar o seu livro, que estava escrevendo sobre o recreio de sua juventude, no princípio relutei, mas ele acabou me convencendo, e hoje vejo que ele estava certo. todas às vezes que desenho um esdobão, eu sempre penso nele, e agora, mais ainda!.

anibal wf. 
jf, 25.04.2021

sexta-feira, 23 de abril de 2021

DE COMO DEVEMOS DESCOBRIR UMA MANEIRA PRA SE LIVRAR DAS GARRAS DE UMA VAMPIRA PODEROSA.



se você não tem respaldo em casa, se a família está sempre indiferente às suas reclamações, pode escrever embaixo: você está sendo vampirizado, suas energias estão cada vez mais rarefeitas, você está à mercê da pior vampira que existe, ou seja, a sua própria família. confesso que é realmente uma situação terrível, eu não gostaria de estar na sua pele. no entanto, veja bem, se em casa não lhe dão o devido apoio, algo muito errado está acontecendo, você se encontra perdido num mato sem cachorro, mergulhado num ninho de vampiros, completamente indefeso. neste caso, a única coisa a fazer é não entregar os pontos, lutar pra sair das garras desta vampirona, sei que o seu caso é muito difícil pra resolver, todavia, tem sempre um jeito de sanar esta drástica situação. por exemplo: você já parou pra pensar que o vampiro da sua família pode ser você mesmo?, pense nisso!.

anibal werneckfreitas, jf, 24.04.2021 


quinta-feira, 22 de abril de 2021

DE COMO O SACRISTÃO FAUSTINO PERDEU AS ESTRIBEIRAS EM PLENA PROCISSÃO DO SENHOR MORTO, NUMA SEMANA SANTA EM CONCEIÇÃO DA BOA VISTA.


esta história ocorrida no final do século XIX, em conceição da boa vista, é realmente verdadeira, segundo muita gente. tudo começou com o sacristão faustino, baixinho, taludo, ranzinza, mas totalmente dedicado ao seu serviço de sacristão. pra ele era deus no céu e o padre idelfonso na terra. tanto assim que não admitia nenhum erro cometido por parte dos fieis na igreja, e quando acontecia, ele já chegava implicando: "agora não é hora de ficar sentado, e sim, ajoelhado de cabeça baixa, porque o padre está consagrando a hóstia e o vinho, ou seja, o corpo e o sangue de cristo". seu procedimento era assim durante a missa inteira, do introibo ad altare dei até o, ite, missa est, porque naquela época o culto católico era em latim. pra você ter uma ideia, certa vez, o faustino tirou uma mulher do templo, porque ela não estava trajando um vestido adequado ao momento, o marido dela quis tomar satisfação, e o pau quase quebrou. pois é, o faustino não tinha jeito mesmo. no entanto, quando o padre idelfonso chamava a sua atenção, ele acatava a bronca numa boa, todavia, num piscar de olhos, lá estava o faustino fazendo das  suas. tanto assim que as beatas sempre reclamavam dele: "seu padre, o faustino nos vigia o tempo todo, e agora deu pra falar que nós somos fofoqueiras". caro leitor, uma pausa, mas cá entre nós, com todo o respeito, nisso o faustino tinha razão de sobra. o problema é que esta situação belicosa entre o faustino e os fieis estava se agravando e isso começou a preocupar o pároco vigente. a juventude, por sua vez, com o arrobo que lhe é peculiar, começou então a hostilizar o sacristão, chamando-o de colete-preto, porque ele usava um colete desta cor constantemente, pois sabiam que este apelido o deixava muito irritado. então, uma vez, em plena semana santa, numa procissão do senhor morto, saindo da capelinha na pracinha até à igreja matriz no alto do morro, aconteceu um terrível inesperado, tudo por causa de uma música sacra muito conhecida naquela época. ela era como um mantra, com os fieis cantando: "os anjos, todos os anjos, os anjos, todos os anjos...", sendo na frente do cortejo, o padre e o sacristão puxando a cantoria. acontece que, num dado momento, uns jovens começaram a mudar a letra: "os anjos, colete-preto, os anjos, colete-preto...". mas pra quê, não deu outra, o faustino, fulo da vida, virou pros engraçadinhos, e revidou: "colete-preto é a p... q... p..., colete-preto é a p... q... p...!", é isso mesmo o que você pensou. enfim, depois desse vexame, em frente à igreja, com o padre totalmente destrambelhado, junto ao esquife, a notícia carece de exatidão, mas que foi assim, foi!

NOTA, na minha infância, esta história era muito contada pelos mais velhos, muita gente jurava a sua veracidade, eu tenho pra mim a nítida certeza de que ela realmente ocorreu. quanto aos nomes e as passagens no texto são pura ficção, é como dizia nelson rubens: "eu aumento, mas não invento". pois bem, naquele tempo, o padre celebrava a missa em latim, de costas pros fieis. a tradução de introibo ad altare dei é, subirei ao altar de deus, e de ite, missa est é, ide, a missa terminou.

FOTO, a pracinha com a sua capelinha, na parte baixa de conceição da boa vista, distrito de recreio, mg.

anibal wf. 26.04.2021