quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O INFERNO DE TRUMP/ Quem abusa sempre se dá mal.

 LITERATURA DE CORDEL: O INFERNO DE TRUMP

"O Inferno de Trump" é uma sátira política contemporânea inspirada no clássico subgênero da Literatura de Cordel que narra a chegada de figuras imponentes ou polêmicas ao submundo (como nas tradicionais histórias de Lampião ou Antônio Silvino no inferno). O mote brinca com a personalidade extravagante do político norte-americano tentando aplicar suas táticas de negócios e discursos espalhafatosos diante do próprio Satanás. [1, 2, 3]
Abaixo, veja uma versão desse cordel escrita em setilhas (estrofes de 7 versos) com a tradicional métrica da redondilha maior (7 sílabas poéticas) e rimas no esquema X-A-B-A-B-C-C.

📖 O Inferno de Trump
I
Peço rima ao Pai Eterno
Para contar a jornada
De um homem poderoso
Da cabeleira amarelada
Que ao bater as botas na Terra
Teve a alma despachada
Direto pra terra queimada.
II
Donald Trump, o magnata,
Do topo do seu império,
Deixou o mundo dos vivos
Sem pompa e sem mistério
E acordou num lugar quente
Onde o fogo é assunto sério
Nas portas do cemitério.
III
O diabo, ali na recepção,
Olhou o gringo chegar
Com terno azul alinhado
E a pose de governar
E disse: "Aqui no meu reino
Você não vai mandar nada,
Sua hora acabou de soar!"
IV
Mas Trump olhou pro capeta
Sem demonstrar nenhum medo
Disse: "Este lugar é um caos,
Mas eu resolvo o segredo!
Vou construir uma torre,
Mudar esse seu enredo,
E privatizar o degredo!"
V
"Vou fazer o Inferno Grande!
Make Hell Great Again!
Vou botar muro na entrada
Pra não passar mais ninguém,
Cobrar tarifa do Céu,
E quem quiser vir além
Vai pagar imposto também!"
VI
O cão soltou uma gargalhada
Que fez o chão sacudir:
"Aqui não tem fake news,
Nem juiz pra você mentir!
O seu dinheiro não vale,
O contrato eu vim romper,
Seu castigo vai começar!"
VII
O castigo do ricaço
Foi o pior do além:
Trabalhar de sol a sol
Sem o aplauso de ninguém,
Ouvindo discursos longos
Do rival que ele odeia bem,
Sem o luxo que ele detém.
VIII
E assim segue o magnata
Naquele fogo sem fim,
Querendo comprar o inferno,
Mas o diabo disse "ruim!".
Quem plantou a discórdia na Terra
Colhe o espinho no jardim,
O cordel termina assim.

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