Narração, Ann-Louise.
Anastácio, bebendo num botequim em Conceição da Boa Vista, apostou com os amigos que iria à meia noite no cemitério, buscar um osso fémur.
Acontece que Prudêncio, um
dos seus amigos, resolveu dar um susto nele, pois conhecendo um atalho até o
cemitério, chegou antes dele.
Deste modo, Prudêncio se escondeu
atrás dum túmulo e toda vez, que o Anastácio pegava um osso, ele dizia com uma
voz cavernosa, Este osso não, porque ele é meu!
E assim Prudêncio foi procedendo
até o Anastácio pegar um, e sair correndo como um louco.
Chegando no botequim, Anastácio
jogou o osso sobre o balcão, demonstrando a sua coragem, e, deixando então, todos
os amigos atônitos.
No entanto, acontece que em
meio a tudo isso, alguém indagou, E o Prudêncio, até agora não apareceu!
No dia seguinte, ele foi
encontrado morto no cemitério.
NOTA: Essa é uma clássica
narrativa do folclore regional mineiro, muito comum no interior de Minas Gerais
(especialmente na região de Leopoldina, Cataguases e
Recreio (onde fica o distrito de Conceição da Boa Vista).
ECILA, ECILA, ECILA...
(Anibal Werneck)
(intro: 2X C G F C)
C G7
Tão longe de você,
F C
Recordo de tudo,
C G7
Com os olhos molhados,
F C
E os ouvidos surdos,
C G7
Cansado eu fico,
F C
Pra cantar até custo,
C G7
Pois os meus lábios,
F C
Parecem mudos.
G7
F
Pra dizer o seu nome:
C
G7 F C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
G7 F
C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
G7
Já não bate certo
F C
O meu pobre coração,
G7
Pois o que sinto
F C
São só tristes emoções,
G7
Até as notas
F C
Saem toscas do meu violão
G7
E já não faço
F C
Pra você lindas canções,
C
G7 F C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
C
G7 F C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
F
E para terminar,
G7
Estou contrariado
F
Até para falar
G7
Que estou apaixonado:
C
G7 F C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
C
G7 F C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
C
G7 F C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
C
G7 F C
Ecila, Ecila, Ecila,
Ecila!
Nas ruínas da antiga capela de São Francisco, o silêncio era interrompido apenas pelas badaladas secas de um sino rachado e antigo, que ninguém ousava tocar, pois era muito mal-assombrado, porque diziam que ele anunciava sozinho a chegada da ‘Dama do Martelo’, uma mulher estranha de vestes cinzentas, que vagava pelo vilarejo em busca de pregos soltos em caixões de túmulos danificados no cemitério local.
Pois bem, conta-se que certa vez o padre Orozimbo, armado apenas com sua fé, decidiu confrontar a aparição. E assim, no meio de uma noite, ouviu o sino bater e, imediatamente, correu para a frente do campanário da igrejinha abandonada, e deparou-se com um cavalo branco de olhos vítreos, parado como uma estátua de gelo sob o luar.
Em pé, no lombo do animal, uma mulher muito alta empunhava um martelo de ferro pesado com o cabo muito comprido, batendo ritmicamente contra o metal do sino, produzindo um som que não vinha deste mundo.
E assim, quando o padre tentou exorcizá-la, a mulher simplesmente virou pra ele e disse com voz cavernosa, ‘Eu badalo este sino não para assombrar, mas para avisar que a fundação desta igrejinha antiga esconde algo que nunca deveria ter sido construído aí’.
Esta
história é contada até hoje pelos mais velhos, mas ninguém nunca se atreveu em
desvendar este mistério, porque o medo de acontecer algo de ruim no vilarejo é
muito grande.
AWF/IA/2026