Final do século XIX, Conceição da Boa Vista tinha até padre, era uma paróquia muito importante, que na Semana Santa atraía muita gente da região, para participar das procissões com belíssimas imagens do Senhor dos Passos, Nossa Senhora e o Senhor Morto.
Tanto na matriz principal, quanto na capelinha, barraquinhas vendiam de tudo, desde salgadinhos até doces, assim como velas e outros produtos adequados ao evento religioso.
Assim como toda igreja histórica, existe sempre um cemitério atrás dela, no nosso caso, o de Nossa Senhora da Conceição. Pra quem visita o Distrito de Conceição da Boa Vista, sente um ar misterioso e aconchegante, ou seja, um ambiente bastante carregado, principalmente nos túmulos, talvez pelo sofrimento dos escravos de outrora, uma mão de obra sofrida sob o chicote dos feitores, a mando dos senhores cruéis da elite cafeeira.
Pois bem, conta a lenda que numa noite de Lua minguante, Mariazinha, na hora de dormir, viu do buraco de sua janela uma procissão em fila indiana de almas cobertas por
um tecido branco, saindo do cemitério, e rezando em voz alta.
Diferente de assombrações violentas, os antigos contam
que se vê realmente uma fila de luzes pálidas, como velas acesas, movendo-se
lentamente entre os túmulos de granito e as grades de ferro batido.
A história mais famosa narra o causo de um tropeiro que,
ao passar pelo distrito tarde da noite, viu uma senhora vestida de preto
rezando em frente ao portão do cemitério. Com pena da mulher no frio, ele parou
para oferecer ajuda. Ela apenas lhe entregou uma vela apagada e
pediu, Guarde isto com cuidado e me devolva amanhã, neste mesmo lugar.
O homem guardou a vela no alforje e seguiu viagem. Ao
amanhecer, quando abriu a bolsa para pegar o objeto, não encontrou cera ou
pavio, em seu lugar, havia um osso humano, amarelado pelo tempo. Mesmo
assim, ele voltou ao cemitério para cumprir a promessa e, ao depositar o osso
no portão, viu a imagem da senhora desaparecer num sopro de vento, deixando
apenas o cheiro de incenso no ar.