quinta-feira, 23 de abril de 2026

O MENINO QUE TINHA UM CEMITÉRIO NO QUINTAL DE SUA CASA.

 


Julinho gostava muito de brincar sozinho no quintal de sua casa, tinha o costume de fazer cemitério de minúsculos seres, mortos por ele, e isso lhe dava uma certa satisfação, embora lidando com a morte em si.

Seus pais achavam muito estranho a sua atitude, mas não faziam nada para impedir a brincadeira bizarra do filho.

Pois é, acontece que num certo dia apareceu um amiguinho dele que tinha a mesma mania, ou seja, matar e enterrar formigas, besouros, mosquitos, minhocas, aranhas, baratas, gafanhotos, etc, etc, etc..., causando aí uma certa preocupação aos seus progenitores, até porque, o estranho garoto tinha aparecido do nada, ninguém sabia quem era ele.

Deste modo, o tempo foi passando, passando, até que um dia os pais de Julinho resolveram indagar sobre o paradeiro daquele misterioso moleque e, para o espanto deles, ninguém sabia informar nada sobre ele.

Isto assustou muito, porque a cidade era pequena e todo mundo conhecia todo mundo.

Preocupados com o mistério, os pais de Julinho decidiram observar a brincadeira deles mais de perto.

Certa feita, no final de uma tarde, viram os dois meninos ajoelhados no quintal, todavia, algo havia mudado, eles não estavam mais caçando, e sim, cercando os pequenos ‘túmulos’ com pétalas de flores e gravetos coloridos.

Deste modo, ao se aproximarem, o garoto misterioso sorriu. Ele tinha olhos calmos e uma voz que parecia um sussurro do vento.

Ele explicou que não estavam mais celebrando a morte, mas aprendendo sobre o ciclo da vida. Ele contou, também, a Julinho que cada ser, por menor que fosse, tinha uma história e que a terra onde brincavam era sagrada e cheia de vida invisível.

Naquele instante, os pais de Julinho sentiram uma paz profunda. O amiguinho entregou a Julinho uma pequena semente de ipê e disse, ‘Agora, em vez de guardar o que parou de respirar, vamos cuidar do que vai crescer’.

Sendo assim, o garoto desconhecido caminhou em direção ao portão e, num piscar de olhos, desapareceu entre os raios de sol do entardecer.

NOTA DO AUTOR: Julinho nunca mais matou um inseto sequer. Ele passou a plantar sementes e, com o tempo, o antigo ‘cemitério’, se transformou no jardim mais vibrante da cidade, repleto de borboletas e flores. Quanto ao amiguinho misterioso este nunca mais foi visto, mas Julinho sabia que tinha feito um amigo de outro mundo que o ensinou a transformar a morte em vida.

 

Anibal escreveu este causo em parceria com a IA.

JFora. 24.04.2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

CUITELINHO, UM ACHADO DO COMPOSITOR, XANDÓ, COM ADAPTAÇÃO E FINALIZAÇÃO DE PAULO VAZOLINI.

 


"Cuitelinho" é uma canção folclórica tradicional brasileira, recolhida no Mato Grosso do Sul por Antônio Carlos Xandó e posteriormente adaptada e finalizada por Paulo Vanzolini. A música, inspirada em versos ouvidos de um barqueiro chamado "Nhô" Augustão, foi registrada por Vanzolini e popularizada na voz de Nara Leão em 1974. 

VOZ E VIOLÃO: ANIBAL.

sábado, 4 de abril de 2026

A FORÇA DE OXUM, UM CONTO AFRO-BRASILEIRO.

 


O Coronel Setembrino, conhecido por sua alma seca como o bagaço da cana, arrastou o escravo Ozório até a beira de uma cachoeira imensa. O crime de Ozório era ter ‘roubado’ uma barra de rapadura de seu próprio suor para aplacar a fome dos filhos. Por sua vez, o coronel, querendo dar um exemplo de terror, decidiu que o castigo não seria o chicote, mas o abismo.

Enquanto Setembrino erguia o braço para empurrar Ozório nas águas violentas, o tempo pareceu parar. Um dos seus capatazes conta que o sol refletiu no espelho d'água com um brilho dourado tão intenso que o cegou completamente. E assim, do meio da espuma branca e do barulho do trovão das águas, surgiu uma mulher muito bonita, conhecida pelo nome de Oxum, entre os escravos.

Não foi uma aparição suave, pois as águas da cachoeira, antes descendo em linha reta, começaram a redemoinhar contra o fluxo natural. Setembrino, paralisado pelo medo, viu o reflexo de seus próprios pecados na face de uma divindade que, certamente, não tolera a covardia contra os pequenos. Deste modo, Ozório sentiu mãos invisíveis puxando o seu corpo para a margem segura, onde o mato se abriu para escondê-lo. Enquanto isso, o chão sob os pés de Setembrino cedeu como se fosse feito de açúcar molhado e, deste modo, o coronel caiu nas águas que ele pretendia usar como tumba para o escravo, mas acontece que, Oxum não lhe deu o descanso da morte, porque ele foi arrastado pela correnteza e devolvido à margem do riacho, quilômetros abaixo, totalmente sem voz, sem posses e com a mente perdida, condenado a vagar como um mendigo pelas terras que antes tiranizava.

Por isso, desde esse dia, dizem que quem passa por aquela cachoeira, e tem o coração limpo, consegue ouvir o riso de Oxum e os lamentos de Setembrino.

 

Anibal em parceria com a IA.

'LUÍZA', ESTA MÚSICA FOI FEITA PRA MINHA AVÓ E A SUA FILHA, MINHA MÃE, GOSTA MUITO DELA.

 


É IMPORTANTE RESSALTAR QUE A MINHA MÃE, WANDA, VAI FAZER 100 ANOS EM DEZEMBRO, MIL PARABÉNS ANTECIPADOS PRA ELA. LUÍZA (Anibal Werneck de Freitas).

quarta-feira, 1 de abril de 2026

MINEIRO-PAU, É MUITO IMPORTANTE VALORIZAR A ARTE QUE SURGE DO CORAÇÃO DO POVO.



MINEIRO-PAU (Anibal Werneck de Freitas).

IMAGEM DO VÍDEO: Mineiro-Pau no Carnaval de 2016 em Recreio, MG. 

GRAVAÇÃO: Celso, Sinval e Anibal.

segunda-feira, 16 de março de 2026

CAUSOS DE ASSOMBRAÇÃO, O OSSO ROUBADO NO CEMITÉRIO


 

Anastácio, bebendo num botequim em Conceição da Boa Vista, apostou com os amigos que iria à meia noite no cemitério, buscar um osso fémur.

Acontece que Prudêncio, um dos seus amigos, resolveu dar um susto nele, pois conhecendo um atalho até o cemitério, chegou antes dele.

Deste modo, Prudêncio se escondeu atrás dum túmulo e toda vez, que o Anastácio pegava um osso, ele dizia com uma voz cavernosa, Este osso não, porque ele é meu!

E assim Prudêncio foi procedendo até o Anastácio pegar um, e sair correndo como um louco.

Chegando no botequim, Anastácio jogou o osso sobre o balcão, demonstrando a sua coragem, e, deixando então, todos os amigos atônitos.

No entanto, acontece que em meio a tudo isso, alguém indagou, E o Prudêncio, até agora não apareceu!

No dia seguinte, ele foi encontrado morto no cemitério.

 

NOTA: Essa é uma clássica narrativa do folclore regional mineiro, muito comum no interior de Minas Gerais (especialmente na região de Leopoldina, Cataguases e Recreio (onde fica o distrito de Conceição da Boa Vista).