quarta-feira, 17 de novembro de 2021

HISTÓRIA - 18 [Estado e Religião]



Segundo a Bíblia, Deus criou todos os homens iguais, todavia, isto na prática não é bem assim, vejamos, os governos que se dizem emanados por Ele, não tratam os seus súditos com a devida igualdade, pior, falam que acreditam Nele, e ainda por cima, ameaçam os ateus, subestimando os crentes na sua religiosidade latente, fazendo uma lavagem cerebral, instigando o ódio contra os opositores, tanto assim que, sobre esta questão, Voltaire dizia, Deus não existe, mas não conte ao meu servo, porque ele pode me matar, de noite.

Na verdade, não somos iguais biologicamente, mas, se considerarmos que somos iguais na essência, isto nos permitirá construir uma sociedade melhor.  

Até hoje, uma das colunas que sustentam o Estado, é a Religião. Veja bem, não se faz um exército sob coerção, é preciso que o comandante e os soldados acreditem em alguma coisa. Temos na História, como exemplo, Constantino, o Imperador Romano, que sonhou com a vitória dos seus guerreiros, trazendo uma cruz no peito, que, desta maneira, instituiu o Cristianismo a religião oficial de Roma, com a finalidade de erigir uma única crença, para apaziguar o povo romano.

Na verdade, todas as ordens, que regem o nosso dia-a-dia, são frutos da imaginação, como tudo na vida, ou seja, pura convenção.

NOTA: O texto aqui proposto tem como fonte o livro, Sapiens, Uma Breve História Da Humanidade, de Yuval Noah Harari, com a minha modesta complementação.


Anibal Werneck de Freitas, é professor de História, aposentado.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

HISTÓRIA - 17 [Impérios do Mal]



A Civilização Egípcia foi praticamente a primeira da História da Humanidade, devido ao fato do Homo Sapiens, oriundo do centro da África, ter encontrado um vale fértil, no nordeste do continente, banhado pelo Rio Nilo, na sua caminhada rumo ao ao Oriente Próximo. Neste local, considerado um prolongamento do Deserto Saara, os egípcios construíram um sistema de irrigação fantástico, que resultou num império colossal. E deste modo, começou com o Alto Egito e o Baixo Egito, que foram unificados pelo Faraó Narmer. Esta união ceifou vidas, o preço de todo império, devido à ganância, que é o mal de todos os males. Esta mania de formar impérios vem assombrando até hoje a humanidade, veja bem, Império Egípcio, Persa, Assírio, Fenício, Grego, Macedônico, Romano, Eclesiástico, Otomano, Brasileiro, Inglês, Estadunidense, Russo, e agora, Chinês, porque é bom lembrar que os impérios não são erigidos só com armas, mas também, através do comércio, assim como foi o Fenício e hoje o Chinês, e devo complementar que são mais perenes, que os forjados pela força. Como você nota, todo tipo de Governo surgiu através da violência, donde concluímos que o Estado (convenção), coisa que não existe na realidade, surgiu em prol dos poderosos, que só sabem oprimir o povo. Por outro lado, a História nos mostra que o anarquismo sempre foi uma pedra no sapato dos governos imperiais e, por isso mesmo, é duramente satanizado por eles, porque eles não aceitam o poder nas mãos da população. No Império Brasileiro, a Colônia Cecília, dirigida entre 1890 e 1893 por italianos imigrantes, em terras doadas por D. Pedro II, no município de Palmeira, Paraná, é considerada a principal colônia anarquista que deu certo, tanto assim que os fazendeiros pressionaram o Imperador, e, deste modo, conseguiram destruí-la.

NOTA: O texto aqui proposto tem como fonte o livro, Sapiens, Uma Breve História Da Humanidade, de Yuval Noah Harari, com as minhas modestas complementações.

Anibal Werneck de Freitas, é professor de História, aposentado.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

HISTÓRIA – 16 [O Gato, Divindade Egípcia]

 



Os povos pré-letrados não foram motivados pela fé e sim pela necessidade de sobrevivência. Todavia, em algumas descobertas, arqueólogos encontraram pilares de 7 toneladas, chegando a 5 metros de altura, num sítio no sudeste da Turquia chamado Gobekli Tepi, nos passando a ideia de que os homens antes de terem suas casas, erigiram monolitos evocando os bons espíritos por uma proteção face à luta por dias melhores. Isto sem levar em conta os vilarejos que cresceram à volta de templos sagrados, onde se desenvolveram as técnicas do plantio do trigo e a domesticação dos animais.

Pois bem, em se tratando dos animais cativos, a princípio o sapiens teve problemas em relação aos adultos, difíceis de serem domados, passando então a lidar com os mais jovens, através de fêmeas férteis. O cordeiro e o cabrito foram os primeiros da fila, seguidos pelo boi e o cavalo. Quanto ao cachorro, este se aproximou da aldeia do homem a procura de comida e, consequentemente, passou a ser um vigia eficaz contra qualquer aproximação do inimigo.

Tirando o cão que hoje virou até bibelô de madame, os demais animais passaram a sofrer terrivelmente nas mãos humanas. O gato, por sua vez, teve mais sorte, e, devido à sua elasticidade física, sem fazer barulho, dando a impressão de aparecer e sumir ao mesmo tempo, acabou se transformando numa entidade divina para os egípcios, ganhando assim toda a proteção possível. Posso estar enganado, mas eu não sei pra que serve o gato, você pode observar, quando o seu dono muda de casa, ele não vai atrás, por outro lado, é incapaz de abanar o rabo, mostrando satisfação, e, quando está roçando a nossa perna, ele está simplesmente nos sondando. Se está chovendo, ele simplesmente fica na janela com o vidro abaixado, vendo o cachorro todo enlameado, recebendo o dono, com a maior euforia. Perdoe-me se você gosta de gato, mas é assim que o vejo, espero que seja ignorância minha.

Devo acrescentar que esta procura do Homo Sapiens pelo Sagrado começou assim que ele tomou consciência de que existia. Por mais que a tecnologia avança, nunca deixaremos a ideia de que exista algo além desta vida. Podemos inventar robôs perfeitos, capazes até de se reproduzirem e de si conscientizarem da sua existência, mas que jamais chegarão a serem como nós, porque a eles faltarão o que chamamos de Sentimentos da Alma. 

 Anibal Werneck de Freitas, é Professor de História, aposentado.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

HISTÓRIA – 15 [Os Assentamentos]

 



O Homo Sapiens ao contrário dos outros humanos, como o Homo Ergaster e os Neandertais, passou a plantar e a cuidar dos animais. Isso começou a cerca de 10.000 anos. A partir daí, a Agricultura surgiu em todas as partes do mundo. Assim, os agricultores trabalhavam mais e se alimentavam pior que os caçadores. Esta foi a época da Ditadura do Trigo, ou seja, todo os povos passaram a cultivar este alimento, que passou a manipular o Homo Sapiens ao seu bel-prazer, pois exigia um grande espaço, e muitas matas foram destruídas para o seu plantio, segundo o historiador israelense Yuval Noah Harari.

Pois é, com a agricultura começaram a surgir as classes sociais, e consequentemente, o patrão e o empregado, donde originou o soldado para proteger a colheita do dono, a cada dia mais poderoso. Aliás, até nos dias de hoje, a situação continua do mesmo jeito. Deste modo, os caçadores acuados por um inimigo mais forte, na fuga sobreviviam muito mais que os agricultores, razão pela qual surgiram forças armadas e a criação de Reinos.

Tudo começou com pequenas vilas a 10.000 anos, que foram se aglutinando mediante à mesma língua e aos mesmos costumes, encenando assim as Primeira civilizações, a egípcia, a mesopotâmica, a assíria, a hebraica, a pérsica, etc..., no lado Ocidental do planeta, pois bem, através dos assentamentos, elas foram crescendo de forma vertiginosa, até porque, a fertilidade das fêmeas é de acordo com a fartura. Enfim, até nos dias atuais, lamentavelmente, Israel invade terras dos palestinos, para implantar assentamentos permanentes. É bom lembrar que as guerras começaram assim. A Bíblia está repleta de invasões desta natureza pelos hebreus a mando de Deus, o  que não passa de uma bela forma de se desculpar. A destruição da Muralha de Jericó pelo som das trombetas hebraicas é um exemplo clássico.

Apesar de tudo isso, o homem sempre foi despreparado em relação às mudanças, por mais que produz, nunca superou a fome. A causa está no luxo que gera novas obrigações e novas onerações a cada vez que se aprimora. Veja bem, segundo o historiador Yuval Noah Harari, “Nas últimas décadas, inventamos inúmeros instrumentos que supostamente economizam tempo e torna a vida mais fácil – lavadoras de roupa e de louça, aspiradores de pó, aparelhos celulares, computadores,

robôs, etc, etc, etc...”.

Realmente, tudo isso economiza tempo, o problema é que os gastos são cada vez mais onerantes.

 

Anibal Werneck de Freitas, é Professor de História, aposentado.