quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A NATURA [cordel]














A Natura realmente
É tremenda gozação
Nos põe aqui e tira
Sem dar satisfação
E tem quem se julga
Dono desta situação.

A Natura por sua vez
É cheia de mistério
Nós ficamos tentando
Nela algum critério
Ela então ri da gente
Cujo fim é o cemitério.

Não sei de onde vim
Porque estou aqui
E nem pra onde vou
Me sinto um caqui
A Natura faz e desfaz
E não está nem aí.

Nem pros que rezam
Ela parece não ligar
De repente sem aviso
Manda tudo pro ar
Pra natura ser ou não,
Vai lhe preocupar?

Já cantei pra Natura
Hoje não canto mais
Não sei qual é a sua
A acho doida demais
É muito sofrimento
Num porto sem cais.

anibal werneck de freitas.




terça-feira, 13 de setembro de 2016

FRACO GOVERNO LESA-PÁTRIA!











O tal presidente impostor Temer
Reuniu com a bancada ruralista
Um acordo entre eles foi selado
Um ato inconstitucional golpista
Foi no dia 18 de julho deste ano
Uma ação impopular separatista.

Duas medidas vis foram tomadas
A primeira, totalmente fundiária,
O Congresso na questão indígena
Forte representação latifundiária
Nosso ex-ministro Jobim aponta
Ser inconstitucional e arbitrária.

A segunda busca a venda de terras
Para a ganância ignóbil estrangeira
Burlando os limites na Lei 5.079/71
E também os 100 km. da fronteira
Pondo assim nossa biodiversidade
Numa tétrica situação derradeira.

Os mais beneficiados sempre serão
Os arrogantes e torpes fazendeiros
Com tanta terra em sua suja mão
Negociando fácil com banqueiros
Apossando-se das terras indígenas
Vexando nossos bravos guerreiros.

Devido a isso vamos conclamar
O Itamaraty, as Forças Armadas
E os congressistas nacionalistas
Para combater estas palhaçadas
Que certamente lesarão o país
E que estão sendo engendradas.

Esta conclamação vem do MST
Contra administração arbitrária
Que se instalou pelos golpistas
Diz Stedile da Reforma Agrária:
Um governo que é entreguista
É um fraco governo lesa-pátria.


 anibal werneck de freitas.

A DILMA E O GOLPE







Quem nada teme
Certamente não deve
E o que eu vou relatar
Vai ser muito breve
Coisa bem cabeluda
Que não se escreve.

Tiraram uma presidenta
Eleita pelo nosso povo
Foi um golpe terrível
E pro Brasil foi danoso
No seu lugar colocaram
Um homem de dá nojo.

A Mídia dos poderosos
Diz que foi tudo certo
Mas o povo insatisfeito
Nas ruas pede o correto
Todavia lá no Planalto
Só tem político esperto.

Com o Temer no Poder
Já era a tal Lava Jato
Para desmoralizar o PT
Com muita lama no prato
E agora eles vão dizer
Que o limparão de fato.

Quanta hipocrisia existe
Nesta Direita nefasta
Que quanto mais tem,
Mais riqueza ela arrasta
Apertando a Esquerda
Como um tubo de pasta.

Mas não tem nada não
Só não podemos esquecer
Desta cachorrada toda
Que fizeram com o Brasil
E deste modo os mando
Para a ponte que caiu.

anibal werneck de freitas. 

sábado, 13 de agosto de 2016

A PROCISSÃO DOS MORTOS


Conta-se nos livros de História, que por volta de meados do século XIX, numa pequena cidade interiorana de Minas Gerais, uma velha senhora gostava de ficar à noite na janela de sua casa apreciando o parco movimento que o lugar lhe oferecia. Acontece que a partir das sete horas da noite, todo mundo já estava praticamente dormindo, as ruas totalmente desertas, e, mesmo assim, ela continuava até à meia-noite, no seu posto.
Certo dia, numa noite sem lua, lá pelas tantas, uma estranha e silenciosa procissão se descortinou à sua frente. Meio assustada, ela estranhou o horário do evento e o silêncio dos sinos da igreja, todavia, mesmo assim, continuou observando. De repente, um vulto com o rosto coberto por um véu se deslocou do cortejo religioso e veio em sua direção e, sem deixar ver o rosto, lhe entregou duas velas acesas, dizendo, com uma voz cavernosa, Apague as velas, porque amanhã, neste exato momento, voltarei para buscá-las. Deste modo, o estranho ser lhe deu as costas e se misturou aos demais passantes. Por sua vez, agora, bastante assustada, a mulher fechou a janela, colocou as duas velas apagadas sobre a cômoda e, cansada, pegou no sono.
No dia seguinte, ao acordar, ela achou que tudo não passara de um sonho, no entanto, foi até à cômoda para averiguar e viu dois ossos humanos, ou seja, o de um adulto e o de uma criança, no lugar das velas. Com o horror estampado no rosto, a idosa lembrou que o dono iria voltar, e, deste modo, pegou o terço e começou a rezar freneticamente. Neste dia, ela não fez nada, e assim, permaneceu tremendo dos pés à cabeça, até o momento em que ouviu três batidas na sua janela. Completamente trêmula, ela a abriu e entregou os ossos ao visitante macabro que, ao pegá-los, num passe de mágica, ambos se transformaram em duas velas acesas, clareando o rosto de uma caveira, que a advertiu, Isto é pra você aprender, porque os vivos não podem ver a procissão dos mortos!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ó, VIRGEM MARIA! [Música Sacra Mineira]



Por volta de 2001, eu encontrei uma partitura num livro antigo que me chamou muito a atenção, tratava-se de uma música sacra intitulada, Ó Virgem Maria, muita cantada nas igrejas do século XIX.
Sem autor definido, resolvi gravá-la com uma roupagem mesclada num estilo urbano-rural. Mais pra frente, vi um comentário cinematográfico de São João Del Rey, com esta música, feito pelo mestre Humberto Mauro, que tive a honra de conhecer pessoalmente em Volta Grande(MG).
Pois bem, a História nos conta que quem a cantasse três vezes seria perdoado de todos os pecados.

Anibal Werneck de Freitas.

AWF / MENINO - DEUS, NOSSO PADROEIRO / Aníbal



Recentemente gravei esta música que fala a respeito do Padroeiro de Recreio(MG), o Menino-Deus, mais uma prova de que a religiosidade continua forte em mim, ultimamente, de dois em dois anos, tenho participado do encontro dos ex-seminaristas de Leopoldina(MG), vejo que muitos colegas ainda mantêm a fé, que bom. Todavia, não deixo de participar do evento e chego até a cantar na Benção do Santíssimo e na Missa. Não vejo nada demais e se Deus existe realmente há de me entender, até porque o mais importante é ser o que Jesus nos ensinou. Pois bem, aí estou eu, em 2015, gravando no tablet a música Menino-Deus, Nosso Padroeiro (Pedro Dorigo & Anibal Werneck) com todo o respeito.

anibal werneck de freitas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

AVE, AVE MARIA! / anibal werneck de freitas



Vasculhando minhas composições musicais, deparei-me com um número enorme de músicas de cunho religioso. Nós, mineiros, temos em nossa alma um Cristianismo latente, talvez, pelo fato de tudo ter começado numa cidade chamada, Vila Rica, hoje, Ouro Preto, coberta de igrejas por todos os lados. O mineiro que se diz ateu, no fundo, carrega a imagem de um Deus transcendente, cercado de anjos, atormentando assim a sua descrença. Na verdade, são cinco séculos de pai passando pra filho, uma religião que veio com os colonizadores. Eu não levaria nenhum susto se um dos nossos ateus virasse, num passe de mágica, um Congregado Mariano. O Cristianismo está tão enraizado na nossa civilização, sustentando religiões como, a Umbanda, o Espiritismo Kardecista, o Protestantismo e o Catolicismo. Tanto assim que, aí vai a faixa, AVE, AVE MARIA!, do CD, Mar de Morros, que gravei em 1998, no meu Studio Som Um, em Recreio(MG), no tempo em que eu não era ateu, até porque ainda curto músicas sacras, igrejas barrocas, pois vejo tudo isso como arte. Nada me fascina mais do que uma Folia de Reis cantando versos para a Virgem Maria Mãe de Jesus. Agora, respeito e invejo quem acredita.

anibal werneck de freitas.