A MULHER, O RIO E O FILHO/ A realidade concreta e observável da condição humana, sem recorrer a justificativas divinas
A MULHER, O RIO E O
FILHO (Anibal Werneck de Freitas e Iacyr Ânderson Freitas) No barro vermelho do
rio/ Onde as águas passam calmas/ Lambendo as pernas morenas das moças./ Os
meninos olham suas mães/ A lavar as roupas que não são suas. /
'A Mulher, o Rio e o
Filho' foca estritamente na
realidade concreta e observável da condição humana, sem recorrer a
justificativas divinas, providências metafísicas ou promessas de compensação em
outra vida. O cenário das mulheres
lavando as roupas, representa o mundo material e natural tal como ele é,
mostrando que a Natureza é indiferente ao sofrimento humano, tanto assim que o
rio apenas segue seu curso. Além do mais, temos o
contraste biológico e social, ou seja, uma transição entre a
juventude física ‘pernas morenas das moças’, e a dura realidade da maturidade
materna, marcada pelo trabalho pesado. A desmistificação do
sofrimento, com ausência de propósito divino, como o sofrimento e a
desigualdade, que não são vistos como um teste espiritual. O que há realmente é
a injustiça concreta com as mulheres lavando ‘roupas que não são suas’, gerando
um fato puramente socioeconômico, pois o trabalho alienado e a pobreza são
produtos das estruturas humanas, não da vontade divina. Quanto aos versos, ‘Os
meninos olham suas mães’/ ‘A lavar as roupas que não são suas’, temos o aprendizado do filho que
ocorre pela observação direta da realidade material. Aqui, ele não está olhando
para o céu em busca de milagres, ele apenas testemunha a despossessão e o
cansaço da mãe no mundo real, herdando assim, a plena consciência de sua classe
e de sua condição existencial.
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