Julinho gostava muito de brincar sozinho no quintal de sua casa, tinha o costume de fazer cemitério de minúsculos seres, mortos por ele, e isso lhe dava uma certa satisfação, embora lidando com a morte em si.
Seus pais achavam muito
estranho a sua atitude, mas não faziam nada para impedir a brincadeira bizarra
do filho.
Pois é, acontece que
num certo dia apareceu um amiguinho dele que tinha a mesma mania, ou seja,
matar e enterrar formigas, besouros, mosquitos, minhocas, aranhas, baratas,
gafanhotos, etc, etc, etc..., causando aí uma certa preocupação aos seus
progenitores, até porque, o estranho garoto tinha aparecido do nada, ninguém
sabia quem era ele.
Deste modo, o tempo foi
passando, passando, até que um dia os pais de Julinho resolveram indagar sobre
o paradeiro daquele misterioso moleque e, para o espanto deles, ninguém sabia
informar nada sobre ele.
Isto assustou muito,
porque a cidade era pequena e todo mundo conhecia todo mundo.
Preocupados com o
mistério, os pais de Julinho decidiram observar a brincadeira deles mais de
perto.
Certa feita, no final
de uma tarde, viram os dois meninos ajoelhados no quintal, todavia, algo havia
mudado, eles não estavam mais caçando, e sim, cercando os pequenos ‘túmulos’
com pétalas de flores e gravetos coloridos.
Deste modo, ao se
aproximarem, o garoto misterioso sorriu. Ele tinha olhos calmos e uma voz que
parecia um sussurro do vento.
Ele explicou que não
estavam mais celebrando a morte, mas aprendendo sobre o ciclo da vida. Ele
contou, também, a Julinho que cada ser, por menor que fosse, tinha uma história
e que a terra onde brincavam era sagrada e cheia de vida invisível.
Naquele instante, os
pais de Julinho sentiram uma paz profunda. O amiguinho entregou a Julinho uma
pequena semente de ipê e disse, ‘Agora, em vez de guardar o que parou de
respirar, vamos cuidar do que vai crescer’.
Sendo assim, o garoto
desconhecido caminhou em direção ao portão e, num piscar de olhos, desapareceu
entre os raios de sol do entardecer.
NOTA DO AUTOR: Julinho
nunca mais matou um inseto sequer. Ele passou a plantar sementes e, com o
tempo, o antigo ‘cemitério’, se transformou no jardim mais vibrante da cidade,
repleto de borboletas e flores. Quanto ao amiguinho misterioso este nunca mais
foi visto, mas Julinho sabia que tinha feito um amigo de outro mundo que o
ensinou a transformar a morte em vida.
Anibal escreveu este
causo em parceria com a IA.
JFora. 24.04.2026
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