quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

DE COMO A HISTÓRIA É MUITO IMPORTANTE PARA O BEM ESTAR DE UMA NAÇÃO, E, SENDO ASSIM, NÃO VAMOS TROCAR O LIVRO PELO CANHÃO, É PRECISO LER DE TUDO PARA ATINGIR A META DA NOSSA LIBERTAÇÃO.



Na Roma Antiga, os jovens tinham o costume de sair pelas ruas na madrugada fazendo a maior baderna, e quem se encontrava com eles, era agarrado a força e levado de volta para o lugar de onde vinha, os soldados não faziam nada para contê-los, porque eles eram filhos de patrícios, a classe dominante na sociedade. Pois é, esta Desobediência Civil era tolerada pelos senadores romanos, que estavam mais preocupados com as guerras, que segundo eles, era uma maneira de aumentar as riquezas de Roma através de pilhagens, enfim, era a Delenda Cartago! (A destruição de Cartago). Esta Desobediência Civil dos jovens romanos barulhentos continua até hoje nas ocupações em frente aos quartéis do exército por homens e mulheres da Classe Média, impunes, tal como os gladiadores do Panis et Circum (Pão e Circo), dando a própria vida em prol do seu Mito, “Ave Caesar, morituri te salutant! (Salve César, os que vão morrer te saúdam!), levando-nos a concluir que a História continua nos mostrando que se fossem os pobres, o tratamento seria outro, ou seja, expulsos na primeira manifestação, pois a subserviência aos ricos ainda predomina forte, favorecendo assim aos privilegiados se divertirem na Copa 2022 no Qatar, dando o luxo de xingar artistas consagrados do nosso país. Infelizmente estamos vivendo um retrocesso que precisa ser estancado urgentemente, senão seremos a nação mais atrasada do planeta. Onde já se viu trocar o livro pelo canhão que só serve pra trazer a morte, onde já se viu ressuscitar uma Ditadura que destruiu a liberdade do cidadão nos anos de 1964 a 1985, onde já se viu enaltecer carrascos covardes que abusaram em todos os sentidos de suas vítimas, portanto, preste a atenção, você que é a favor do Fascismo, pode acabar virando vítima num engano, acorde!, enquanto é tempo!, você não sabe o que é um Estado Absoluto, eu falo isto porque vivi toda a minha juventude num Brasil Ditatorial, veja bem, o autoritarismo do Governo Militar estava por toda parte. Quando O Festival da Música de Recreio, 1971, promovido pelo, O Jornal de Recreio-MG foi interceptado por uma denúncia anônima, fomos obrigados a levar as letras das músicas até o DOPS de Juiz de Fora MG, onde 8 canções foram censuradas, e, mesmo assim, se não fosse a ajuda do saudoso Prefeito Dr. Geraldo Damasceno (Chumbinho), o Festival não teria se realizado. O Governo Ditatorial tinha olhos por toda parte. Uma vez, no Festival de Música de Pirapetinga-MG, fui obrigado a sair correndo, porque a organizadora do evento me alertou que tinha uns homens querendo me conhecer, por causa da música, Reacionária 2, feita com o meus parceiro Zé Dimas, onde no final da letra sobressaía, Naná povin brasileirin, piquininin, destamanin, coitadin, não tem padrin, tem um bordão no coração, palpitação, agitação, neca de pão e de razão!., e, só pra ter uma ideia, a ditadura infiltrava sua força em todos os lugares, éramos vigiados o tempo todo, e tem mais, quando estudei História na UFJF, eu e meus colegas sabíamos quem era o dedo duro na sala de aula. Uma vez, de repente, o campus da UFJF, foi tomado por soldados com cachorros, porque uns textos em espanhol sobre o Comunismo, da minha turma de História, foram parar no curso de Letras, enfim, a Ditadura age assim, ninguém tem segurança, então, por favor, vamos ler mais, e parar de agredir a Democracia, tá na hora!

NOTA: É importante lembrar que a música REACIONÁRIA 2 (Anibal e Zé Dimas) ganhou o 2º lugar no Festival da Música de Pirapetinga-MG. O vídeo que acompanha este texto tem uma antiga gravação da música, Reacionária 2, no Bar do Maurição, em Recreio-MG.

Anibal Werneck de Freitas, 06.12.2022.

sábado, 19 de novembro de 2022

DE COMO A TURMA DA GARRUCHA E AS BRIGAS DE BOIADEIROS ASSUSTAVAM AS PESSOAS NO BAR ORIENTE, NO CAFÉ STO. ANTÔNIO E NAS RUAS DE RECREIO-MG, NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX.

 



 Este é mais um causo verídico que o meu pai gostava de contar:

“O Tico, o Rafa, o Tiquito e um outro, cujo nome não me lembro, vinham pro Café Sto. Antônio, na Rua Conceição, e começavam a beber. Só bebiam, e não tinha esse negócio de mulheres com eles não, eram só beberrões. Uma vez, eu disse pro Rafa não beber mais do jeito que ele bebia no Bar Oriente, porque agora o estabelecimento era meu. No entanto, ele continuava o mesmo, os colegas zangavam com ele pra não desrespeitar a casa dos outros, mas mesmo assim, ele batia na tecla de sempre. Digo isso, porque quando eu trabalhava no Bar Oriente, ele dava tiros pra cima, e ninguém ficava no balcão, era uma coisa terrível, parecia aqueles salões do Velho Oeste. E como se não bastasse, além dessa Turma da Garrucha, tinha o Silão que vivia enchendo os córneos de cachaça, e implicando o tempo todo com um tal de Arlindo, outro que só bebia água que passarinho não bebe, de modo que isso os levava sempre a uma discussão, que acabava num duelo, com ambos sacando as armas. A sorte é que um não atirava no outro, atiravam pro alto. Se eram combinados a fazer isso, eu não sei, só sei que assustavam todo mundo, parecia coisa de cinema. Não sei se é bom lembrar tudo isso, mas vamos lá. Haviam também brigas por causa de mulher, principalmente entre boiadeiros, que tocavam o gado lá pras bandas de Conceição da Boa Vista, e que sempre chegavam no Bar Oriente, gritando, ‘Me dá uma cerveja aí!’. Felizmente, com esse pessoal, a ordem do dono do bar prevalecia, ‘Olha, nós estamos aqui é pra atender os fregueses, se estão querendo brigar, brigam lá fora, porque já estou fechando o bar!’. E assim encerrava o expediente, todavia, lá fora a briga continuava. O Bar Oriente, por sua vez, tinha o forro sempre furado de balas, estava constantemente sendo consertado. Tanto assim que, até no Café Sto. Antônio, meu estabelecimento, fizeram isso uma vez, mas eu me zanguei com eles, e cheguei a ameaçar dar parte, e, a partir daí, todos tinham que me entregar as garruchas. O Tiquito era o mais calmo, nunca chegou a dar um tiro. Então, como você está vendo, vivi um tempo brabo, que parecia um verdadeiro Faroeste”.

NOTA: Quando eu era menino, eu via armas expostas na vitrine da loja do Castrinho, naquela época qualquer um podia comprar uma, no entanto, é lamentável pensar, que hoje estão querendo um Brasil assim, ou seja, um país retrógado. Agora, é muito triste lembrar: O Rafa, pelo fato de beber muito, morreu atropelado pelo trem, no pontilhão da Rua São Joaquim. Por isso, os nomes verdadeiros do texto foram substituídos pelos fictícios, pra manter a privacidade das famílias.

AWF, 19.11.2022

sábado, 29 de outubro de 2022

É UM MONSTRO?



A imagem que ilustra este texto foi homenageada recebeu uma menção honrosa do Concurso de Fotomicrografia Small World 2022, organizado pela fabricante de câmeras Nikon. Essa aparente monstruosidade é,...

Leia mais em: https://super.abril.com.br/ciencia/foto-de-rosto-de-formiga-vence-premio-de-macrofotografia/

terça-feira, 25 de outubro de 2022

DE COMO UM HOMEM RECEBEU O APELIDO DE CORUJÃO EM RECREIO DAS MINAS GERAIS ANTES DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.

 



Quem me contou esta história foi o meu pai Antônio Hygino (in memoriam), afirmando que tudo aconteceu realmente. Como vocês podem perceber, esta mania de contar história vem de longe na minha família. Sendo assim, vamos ouvi-lo: "Quando eu abri um barzinho na rua João Perilo, numa casa antiga com telhas de barro, cujo assoalho era de tábuas corridas, em péssimo estado, conheci o  Dinho, irmão do seu Nino que, além de tocar na Banda de Música da cidade, era ferroviário da Estrada de Ferro Leopoldina. Nessa ocasião, Recreio não tinha calçamento, e eu nem era ainda casado com a Wanda. Foi um tempo em que a Praça Américo Simão, cujo lado esquerdo, pra quem sobe pra igreja, morava o Dr. Darcy, médico louvável, sendo que no lado oposto, ficava o casarão do Celino que existe até hoje, em frente ao Grupo Escolar Olavo Bilac, vizinho do da família Melido que não existe mais. Pois bem, perto desses casarões havia um barranco, que chegava até à linha do trem. Deste modo, com o calçamento da rua, o barranco foi nivelado pela rede ferroviária, para empilhar toras de madeira, pra facilitar o carregamento do trem. Pois é, aí que entra a história  do Corujão. Quando chegava o frio, o Dinho, irmão do seu Nino, vestia uma capa preta, e se empoleirava nas toras empilhadas, onde ficava de cócoras se aquecendo sob a luz do Sol. Devido a isso, as pessoas começaram a parar no meio da rua, pra vê-lo. Sendo assim, um dia, alguém estressado de vê-lo todos os dias dessa maneira, não aguentou, e gritou, Saia da tora, Corujão!!!. Ouvindo isso, todo mundo começou a berrar o mesmo: Saia da tora, Corujão!!!. Foram tantas vezes que não deu outra, o apelido pegou. E quando ele se irritava, o pessoal gritava mais ainda: Saia da tora, Corujão!!!". 

NOTA: Eu gravei o meu pai, Antonio Hygino de Freitas (in memoriam), numa fita K7, contando várias histórias interessantes de um Recreio Antigo. Em breve, teremos mais.

Anibal Werneckfreitas, 24/03/2019.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

DE COMO A MINHA INFÂNCIA VALEU A PENA SER VIVIDA NUM MUNDO PÓS GUERRA QUE PROMETIA UM FUTURO MELHOR.

 


 

Minha avó Luíza acordava às seis da manhã pra assistir a Missa das Sete, minha tia Cidinha trabalhava no escritório da Casa Paroquial, e dava aulas de Catecismo, quanto ao meu pai Antônio Hygino, abria cedo o seu estabelecimento pra comprar pão do Antônio, o Padeiro que meu pai, carinhosamente, chamava de Mão Leve, porque não tinha um dos dedos. enquanto minha mãe Wanda na cozinha fazia os doces pra expor na vitrine do balcão. Meus irmãos e eu acordávamos cedo pra mais um dia, e na Rua Conceição as primeiras pessoas já começavam a perambular, e a criançada começava a brotar das casas: José Heleno e Geraldinho da Dona Íris, Wellington da Dona Geralda, Geraldino da Dona Filinha, José Dilton da Dona Conceição, Solimar da Dona Stela, Pedro Ernesto, Liga e Neco da Dona Edir, Zé Firmino da Dona Eny, Cirilo da Dona Armerinda e outros. Os campinhos, as brigas, os piques de esconder, o jogo de bilosca, e os objetos como: peão, carrapeta, atiradeira, manivela de papagaio, cavalo-de-pau... Certa feita, brincando de Velho Oeste com a minha irmã Janine, dei-lhe um tiro de mentira, e ela caiu fingindo de morta tão bem, que acabou dormindo no chão, brincávamos tanto de Faroeste, que o meu irmão Marquinho era chamado pela garotada de Tim Mac Coy. O Turibinha da Dona Nizinha e eu tínhamos o costume de dar um cabo de vassoura pro meu irmãozinho Antônio Carlos, pra ele bater na gente sem dó, o medo de levar uma cacetada era prazeroso. Como de sempre, eu não parava em casa, estava sempre dando trabalho pra minha mãe, pegando barro na cerâmica pra fazer hominho, cavalinho e trem-de-ferro. O único meio de comunicação sonora era o Rádio, naquela época as mulheres já eram apaixonadas por novelas. Na música, o sucesso era dividido entre Ângela Maria, Nelson Gonçalves e Luiz Gonzaga. A luz elétrica era tão fraca que quando chovia apagava o tempo todo, e, pra não ficar no escuro, meu pai acendia vela, lamparina, lampião..., e, quando a energia voltava, era uma gritaria geral na cidade. Na igreja o Padre Celso desenrolava a Via Sacra com maestria, fazendo chorar as mulheres, e, no mês de maio, os anjinhos saíam da casa da Dona Rosa pra coroar na igreja a Virgem Maria sob o explodir de foguetes, enquanto Celino no violino, Dona Líbia na harmônia e Niva na voz faziam um maravilhoso fundo musical. No campo de futebol as partidas terminavam geralmente em pancadaria, principalmente quando era Recreio x Ribeiro Junqueira. No cinema, tabuletas enormes exibiam os artista dos filmes em vigor, o tema Western era o mais exibido, a película cinematográfica era passada pelo Walter Chaminé e o Seu Marçal cuidava da bilheteria. Tony Curtis, Tyrone  Power, Victor Marture, Cary Grant, Bette Davis, James Stewart, Marlon Brando, Fred Astaire, Greta Garbo, Ingrid Bergman, Henry Fonda, Clark Gable, Elizabeth Taylor, Gary Cooper, Grace Kelly, Kirk Douglas, Burt Lancaster, Sophia Loren, Sidney Poitier, Ava Gardner e muitos outros atores estadunidenses mostrando os rostos intrépidos nas fotografias de alta-qualidade das tabuletas do Cine Eldorado, eles eram tão conhecidos como os artistas da Globo hoje em dia. Zezé Macedo, Oscarito, Anquito, Grande Otelo e Mazaroppi se destacavam no elenco das comédias brasileiras. Já ia me esquecendo, o Gordo e o Magro arrebatavam a criançada numa gargalhada só. Quando chegava o Circo na cidade era um alvoroço total, no picadeiro: trapezistas, contorcionistas, palhaços: Pinga Fogo e Espalha Brasa, o toureiro Testa de Ferro, a Mascotinha, delírio da molecada..., enfim, tudo era muito divertido. Como era gostoso o dia do Natal com o Presépio na igreja, e a garotada cheia de brinquedos, pena que não posso dizer a mesma coisa em relação às crianças pobres, e, não poderia deixar de relatar também que o negro nesta época era barrado na entrada do Baile da Associação Comercial de Recreio. Todavia, mesmo assim foi um tempo bom, creio que pra todos nós.

Anibal Werneck de Freitas, 2022