José Antônio, quando viu a água subindo, procurou abrigar a sua família na parte mais alta da sua propriedade, o mesmo tentou fazer com o seu gado, todavia, a lama começou a surgir muito rápida e ele acabou sendo levado por ela, deixando para atrás a esposa Marta e a filha, Filomena, que tentavam sair da casa, enquanto a sua estrutura cedia lentamente. Seus gritos pedindo socorro, certamente, foram abafados pelo barulho forte da chuva torrencial.
Pois bem, quando ocorreu
esta tromba d’água em 1948, no distrito mineiro de Abaíba, muita gente perdeu a
vida, e, sendo assim, hoje em dia, há quem diga que já viu um homem com um
lampião, na margem do rio, gritando pela esposa e filha, principalmente em
noites de chuva muito forte. A lenda também afirma que é possível ouvir os
gritos de socorro de Filomena e o choro de Marta ecoando pelo vale, quando o
nível da água sobe muito, é como se o tempo tivesse congelado aquele momento terrível
da tromba d’água de 1948.
Como já era de se esperar,
o medo de ver as almas dos que morreram nesta enchente de 48, tornou-se parte
do folclore regional, servindo como um aviso sombrio sobre o poder destrutivo
da Natureza.
Anibal Werneck de Freitas,
em Juiz de Fora de 2026.
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